Tratamento
Espiritual
O que é e como
ministrá-lo
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A Doutrina Espírita tem um tríplice
aspecto. É filosofia, pois nos leva a pensar nos porquês da
vida e no destino do homem, cuja existência imortal de seu
Espírito o faz modificar-se. É ciência, já que não aceita
suposições que não estejam baseadas em fatos concretos e
sensatos, desprezando a fé cega e valorizando o aprendizado e
auto-análise constantes. E, por fim, é religião, levando-nos a
crer verdadeiramente em Deus, inteligência suprema, causa
primária de todas as coisas. Crença essa alicerçada nos dois
primeiros aspectos citados.
Por tudo isso, as pessoas que buscam o amparo espiritual da
Doutrina Espírita precisam compreender a abrangência de seu
conteúdo. O centro espírita pode e deve fazer muito pelos
necessitados de auxílio, principalmente aqueles que são
vítimas da obsessão.
Muitos núcleos, ao invés de priorizarem o tratamento das
enfermidades espirituais, dedicam-se quase que exclusivamente à
ajuda material aos menos afortunados. Embora meritória, a
caridade material deve ser o segundo braço de trabalho da casa
espírita.
A miséria existente na sociedade condói o verdadeiro cristão,
que precisa esforçar-se para aliviá-la ou mesmo extingui-la.
Mas há órgãos governamentais, religiosos de todas as frentes e
instituições filantrópicas que, juntamente com os espíritas,
ocupam-se desse mister.
Mas, e da parte espiritual? Quantas religiões têm as
ferramentas necessárias para libertar o ser de más influências
espirituais? Há aquelas que conseguem afastar perturbações
espirituais através da modificação moral do obsediado, sem a
necessidade de um aprofundamento no caso. Porém, estes casos
referem-se a simples perturbações, e não a obsessões.
Como Allan Kardec definiu, a
obsessão é uma doença espiritual, sendo a "influência
persistente de um mau Espírito sobre outro ser".
Persistente, disse o codificador da Doutrina. E essa
persistência só poderá ser quebrada através da modificação
moral do obsediado, mas, paralelamente, haverá a necessidade de
orientação e encaminhamento do obsessor.
É então que entra o principal papel do centro espírita, que
tem como orientar o homem moralmente, ajudando-o a corrigir suas
imperfeições, e afastar e esclarecer o Espírito influenciador,
dando-lhe um novo caminho.
Nesse perfil encontra-se o Tratamento Espiritual, também chamado
de Desobsessão. Nele, o centro espírita desenvolverá junto ao
obsediado os métodos necessários à libertação da enfermidade
espiritual, trazendo-lhe a paz de outrora.
Todo o tratamento é baseado nas orientações de Allan Kardec,
contidas nas Obras Básicas da
Codificação. Seus resultados puderam ser comprovados em 15
anos de experiência no desenvolvimento deste trabalho, tanto no Grupo Espírita Apóstolo Paulo, como
também no Grupo Espírita
Bezerra de Menezes.
No Grupo Apóstolo Paulo, temos conseguido cerca de 75% de
solução nos casos de obsessão. Isso só pôde ser observado
devido ao acompanhamento bimestral dos tratamentos em andamento.
Destes 75% resolvidos, 80% aconteceram em 30 dias de tratamento,
e 20% em 60 dias.
Nada de mais foi feito. Apenas foram seguidas as recomendações
de Allan Kardec e da falange do Espírito de Verdade, quanto à
forma de lidar-se com a obsessão.
Baseados nestes resultados, mostraremos os passos que devem ser
tomados pelos responsáveis da casa na condução do tratamento,
desde a recepção e encaminhamento do necessitado, sua
entrevista inicial, as primeiras orientações e como lidar
mediunicamente com o obsessor.
Cada casa espírita poderá adaptar as formas de atendimento de
acordo com suas possibilidades físicas (estrutura do centro) e
espirituais (capacitação dos atendentes e médiuns). Porém,
deve manter vigilância para que não distorça as diretrizes
básicas orientadas por Kardec e citadas no decorrer deste
trabalho.
A informação
Como
citamos anteriormente, muitos centros espíritas, por falta de
conhecimento ou de prioridades, não têm desenvolvido um
tratamento espiritual. Assim, não são todos os frequentadores
(admiradores ou espíritas) que sabem desta possibilidade de
auxílio. Acreditam que a única forma de amparo espiritual são
os passes.
É importante que estejam escritos na fachada da casa, além do
nome do centro e do horário das palestras públicas, a
existência de um atendimento de orientação a pessoas com
problemas espirituais, e o período em que ele ocorre.
Há vários nomes que pode se dar a este trabalho: entrevistas,
consultas, atendimento espiritual. Aconselhamos a dar a
denominação de "Entrevistas", pois o termo consulta
pode ser entendido como orientação médica e atendimento
espiritual pode confundir o Espiritismo com cultos afro-brasileiros, onde o médium
fica "incorporado" no momento da conversa com o
necessitado. E isso é inconcebível dentro de um centro
espírita.
Seria interessante também divulgar o tratamento através de
folhetos explicativos sobre a Doutrina Espírita. Nós, do GEAP,
temos obtido ótimos resultados de público, interessados em
conhecer o Espiritismo e suas práticas, ao distribuirmos uma
propaganda deste tipo. Trata-se do "Entenda
a Vida". É mais uma oportunidade do indivíduo
problemático saber que há opções de auxílio para sua vida.
A recepção
A
pessoa deverá encontrar na recepção da casa espírita todas as
informações necessárias para saber do que se trata esta entrevista.
Há aqueles que acreditam que a entrevista nada mais é do que a
conversa com o "guia" espiritual de um médium, que
terá que pagar pela "consulta" e outras coisas do
gênero.
Assim que for esclarecido, o indivíduo dará ao recepcionista
que deve ser um trabalhador com bom conhecimento espírita
- algumas informações preliminares sobre sua vida. Estas
anotações serão feitas em uma ficha, colocando-se de início:
nome, idade, endereço, profissão, estado civil e número de
filhos, quando os tiver. Depois, esta ficha será entregue aos
entrevistadores, que anotarão as demais informações
necessárias à compreensão do tipo de problema enfrentado pelo
entrevistado.
A ficha
É
importante que os entrevistadores tenham anotadas algumas
características da personalidade do entrevistado, como também
suas principais angústias, medos e consequências, frutos da
influência a que está sendo submetido. Isso ajudará na
formação do perfil da obsessão, facilitando o seu tratamento.
Estas informações básicas serão anotadas na ficha do
tratamento, que teve seu preenchimento iniciado na recepção.
Esta ficha será guardada em ambiente onde apenas os
entrevistadores e o responsável pela recepção terão acesso,
preservando a intimidade do assistido.
A influência espiritual pode ser atraída de diversas maneiras.
Conhecendo o hábito religioso e social da pessoa, poderemos
iniciar o diagnóstico do caso. O consumo excessivo de álcool ou
fumo, o uso de drogas, a frequência em terreiros de Umbanda,
Quimbanda ou Candomblé, o sono agitado, o uso de psicotrópicos
e a existência de problemas cerebrais podem contribuir para a
instalação da obsessão. E será importante observarmos estes
fatos na ficha do entrevistado.
Além do que foi citado, os entrevistadores anotarão a
evolução do tratamento no decorrer das semanas. Iremos ver mais
adiante que caso haja a obsessão, iremos evocar o
obsessor em nossas reuniões
mediúnicas. Na ficha, colocaremos como está a doutrinação
do ser espiritual e o estado psíquico do ser encarnado.
Não há como verificarmos o progresso do tratamento se não
tivermos guardadas conosco as informações do início e do
decorrer do trabalho. Confiarmos apenas em nossas lembranças
pode significar fracasso na tentativa de elaborarmos uma
orientação confiável ao necessitado, seja ele o obsediado ou o
obsessor.
Abaixo, o modelo de ficha utilizado no Grupo Espírita Apóstolo
Paulo.
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Os atendentes e a entrevista
As
pessoas responsáveis pela entrevista deverão ser trabalhadores
preparados e com conhecimento acima da média sobre a Doutrina
Espírita. Isso porque serão eles que terão a responsabilidade
de orientar as pessoas quanto às atitudes que deverão tomar
daquele momento em diante, visando afastar o problema espiritual.
Também diagnosticarão, através do bom senso e da mediunidade,
quem está sofrendo uma obsessão ou não. Muitos problemas de
personalidade ou mesmo enfermidades psíquicas podem ser
confundidas com influências espirituais. Aí está mais um
motivo para as anotações na ficha citada.
Além disso, há pessoas que procuram fazer uma entrevista no
centro espírita, apenas para desabafarem ou terem uma
orientação mais específica sobre um problema corriqueiro.
Nestes casos, os entrevistadores precisarão estar atentos para
perceberem que pode ser desnecessário qualquer tipo de
tratamento espiritual, além da frequência à casa para
acompanhar as palestras.
É importante que sejam duas as pessoas os atendentes. Se
possível, uma de cada sexo. Isso facilitará o atendimento, pois
psicologicamente há indivíduos que se sentem melhor contando
suas angústias na presença de seres do mesmo sexo, ou o
inverso.
A presença entre os atendentes de um médium com faculdade
desenvolvida e confiável é de muita importância, pois ele
poderá ajudar na percepção do caso ainda durante a entrevista
(ver abaixo "O diagnóstico").
Ambos os entrevistadores deverão manter seriedade e discrição,
deixando claro ao entrevistado que tudo o que ali for dito, ali
será mantido. Por isso, o ambiente reservado é fundamental
durante o atendimento.
Antes de iniciar o atendimento, os entrevistadores deverão fazer
uma prece particular, rogando a Jesus e aos Bons Espíritos que
os inspirem na melhor maneira de conduzir os trabalhos. A prece
tornará o ambiente propício, envolvendo-o de fluidos salutares,
e quando o entrevistado adentrar à sala, irá se sentir mais
seguro para confiar seus tormentos e dúvidas a pessoas que até
então não conhecia.
No início da conversa, pergunte ao entrevistado o que ele está
precisando, qual o tipo de problema que o traz ali. Deixe-o
relaxado. Não force sua abertura. Aos poucos, isso acontecerá.
Escute mais do que fale. Este não é o momento de moralizar
ninguém. O necessitado está ali para desabafar. Mostre-se
condoído com a narrativa e só a corte caso precise de alguma
informação a mais, que ajudará na compreensão do caso.
Depois da conversa preliminar e tomadas as devidas anotações,
pode-se analisar mediunicamente o caso, para que o entrevistado
seja encaminhado para o tratamento espiritual adequado. É o
momento do diagnóstico.
Obs: todo este processo deve durar entre cinco e dez minutos, ultrapassando este tempo apenas em situações de exceção, onde seja necessária uma conversa mais prolongada. O tempo determinado, que não deve ser dito para o entrevistado, é apenas uma forma de organizar o atendimento e dar condições de entrevistar o maior número possível de pessoas. Caso o centro não esteja com muitos a serem atendidos, este tempo pode e deve ser estendido.
O diagnóstico
No GEAP, qualificamos as obsessões em três tipos: cármica,
moral e contaminações. Isso serve para facilitar o tipo de
orientação que daremos, tanto para a entidade, quanto para o
assistido.
A cármica, ou de vidas passadas, seriam as obsessões
provenientes de más atitudes em outras encarnações. Essas
situações geraram ódio ou mágoa em outro ser, que agora
desencarnado, busca vingança.
Já a moral é ligada à conduta social do indivíduo. Seus
vícios mais grosseiros, suas atitudes ligadas ao orgulho,
avareza, sensualidade. Assim, pode haver a sintonia mental entre
os seres, facilitando a obsessão.
Quanto às contaminações, elas estão diretamente ligadas à
frequência do indivíduo em lugares, seitas ou templos
assistidos por maus Espíritos. Estes ambientes são carregados
de fluidos negativos, e a ida até lá pode fazer com que estas
entidades liguem-se ao assistido, tentando-o a permanecer no
local, para ficar sob seus domínios.
Com o diagnóstico do tipo de obsessão poderemos atuar
diretamente na causa do problema.
Podemos identificar mediunicamente o caso atendido de três formas:
Obs: Em nenhum destes três casos, o médium deverá ficar incorporado na frente do atendido. Isso porque há pessoas sensíveis e impressionáveis demais, e a manifestação espiritual poderá ser mais prejudicial do que benéfica. Lembremos a orientação de Allan Kardec: o contato com o mundo espiritual só deve ser feito por pessoas que tenham estudo e prática nesta área.
O tratamento
Diagnosticada a influência, parte-se então para o tratamento propriamente dito. Ele será dividido em frentes de orientação e transmissão de fluidos:
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O acompanhamento
É importante um acompanhamento semanal da evolução do
tratamento. Os entrevistadores poderão conversar com o
assistido, questionando-lhe sobre possíveis melhoras ou mesmo
degenerações do caso.
Porém, este acompanhamento pode ser impraticável quando os
atendentes tiverem muitas entrevistas novas para serem feitas.
Pode-se, então, preparar outras pessoas para tal trabalho. A
atividade delas se resumiria em colher informações gerais junto
ao assistido, sem necessitar aprofundar-se no problema. Estas
informações podem estar restringidas em: se sentiu alguma
melhora após o início do tratamento; se está dormindo bem; se
notou algo de diferente em seu dia-a-dia; se necessita de algo
mais.
Depois, estes depoimentos serão encaminhados aos atendentes, que
se notarem que há a necessidade de uma nova conversa particular,
avisarão o enfermo e se reunirão com ele.
Os entrevistadores também precisarão separar alguns casos mais
graves, onde o contato semanal com o obsediado tem de ser feito.
Nestas situações, o assistido precisa de uma "injeção de
ânimo" constante, e se isso não for feito, poderá
continuar ou aumentar a sintonia com o obsessor.
O retorno
Após os primeiros 30 dias, com o tratamento fluídico
(passes), a orientação moral (palestras e entrevistas) e o
trabalho mediúnico (evocações), há o retorno do assistido
junto aos entrevistadores. Neste momento, analisaremos novamente
o caso, percebendo se houve ou não melhora do enfermo.
Geralmente, este período é suficiente para que a pessoa
sinta-se refeita do problema e assim possa ser suspenso o
tratamento. Nestes casos, deve-se orientar a pessoa para que a
mesma frequente por pelo menos mais 60 dias a casa, assistindo
às palestras e recebendo o passe.
Isso ajudará ainda mais na manutenção da nova ordem psíquica
do mesmo e abrirá seu conhecimento a respeito das coisas
espirituais.
Mas se o tratamento não tiver evoluído, os entrevistadores
deverão fazer uma nova avaliação do caso. Podem ser feitos
novos questionamentos ao assistido e novas evocações.
Esse procedimento será constante até que haja a melhora do
indivíduo. Porém, deve-se lembrar de que boa parte da solução
da obsessão está na mudança moral do assistido, e este deverá
comprometer-se intimamente com a busca de um equilíbrio de vida,
fechando as portas para a perturbação espiritual.
| Copyright by Grupo Espírita
Apóstolo Paulo Última atualização em 18/11/2002 |