Palestra 3
|
|||||||||
Acima, colocamos um exemplo de como a palestra pode ser apresentada em uma lousa. A seguir, os comentários que podem ser feitos a cada item em destaque.
A Caridade Segundo o Apóstolo Paulo O que é a caridade? Comece a
palestra questionando isso. Seria darmos esmolas,
levarmos comida aos necessitados, comprarmos uma rifa
beneficente? Fazer isso nos daria a consciência
tranquila do dever cumprido como cristãos? Este tipo de
comentário fará o ouvinte refletir sobre seu
posicionamento frente à vida. Ele estará mais apto a
absorver os ensinos que lhe serão ministrados. "Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse caridade, seria como o metal que soa ou como o sino que tine". Este trecho é um alerta a todos os que são oradores, sejam espíritas, católicos, evangélicos, umbandistas, ou qualquer pregador que fale dos ensinos divinos. De nada adianta ser belo na palavra e pobre de ações. O exemplo de mudança íntima, de luta constante contra as imperfeições, deve fazer parte da vida dos que se dedicam a divulgar a mensagem cristã. Conheceremos se a árvore é boa pelos frutos, alertou Jesus. Caso contrário, a palavra será como o sino que tine, ou seja, fará muito barulho e chamará a atenção, mas não modificará os corações e inteligências a que é direcionada. "E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse caridade, nada seria." Ter conhecimento espiritual não faz do ser um
indivíduo caridoso. É Jesus mesmo que se diz agradecido
a Deus, por haver escondido os mistérios divinos dos
sábios e os revelado aos simples (Mateus, cap. XI),
referindo-se ao sentimento e à fé nos ensinamentos
espirituais. A mediunidade e o entendimento das Leis do
universo dão sim ao ser maior responsabilidade frente à
vida, e de posse disso devem seus detentores modificar
suas condutas e buscar a humildade. " E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse caridade, nada disso me aproveitaria". Dar esmolas e acabar com a necessidade material do
próximo é muito importante. Mas preciso é alertar às
pessoas que tudo depende da intenção. Se fizermos a
doação material com o objetivo de aparecermos aos
outros, ou então para aliviarmos nossa consciência,
estaremos nos enganando. Além disso, corremos o risco de
ajudar ao necessitado, mas humilhá-lo ao mesmo tempo,
com um ar de superioridade que o ferirá. A doação
desinteressada deve brotar da compreensão da Lei de
Deus, tornando-nos irmãos de quem ajudamos e tendo como
único fim o amparo e alívio do sofredor. "A caridade é sofredora, é benigna; a caridade não é invejosa; não trata com leviandade; não se ensoberbece". O apóstolo mostra que a verdadeira caridade traz a resignação, que é o entendimento das dificuldades da vida como obstáculos a serem vencidos, objetivando o progresso espiritual. Alia a bondade para com todos, independente do momento, pois a vingança e o ódio corroem o sentimento e turbam os sentidos racionais, enquanto o perdão enobrece o ser. Diz ainda que a prudência deve fazer parte de quem busca a caridade, pois ser leviano traz consequências inesperadas, e o orgulho do homem pode contribuir para o afastamento de Deus. "Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal. Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade". Em um mundo onde o que mais vale é a satisfação
pessoal, mesmo em detrimento da paz alheia, a caridade
busca decência e fraternidade. O público precisa ser
levado a refletir sobre de que adianta levarmos vantagem
em tudo se alguém estiver sofrendo com isso? Com
certeza, esta dor do próximo será revertida em
desespero, rancor, violência, que mais cedo ou mais
tarde, acabará voltando-se contra nós mesmos, nossos
filhos ou amigos. "Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta". Tudo tem sua hora. Saber esperar é próprio da caridade. Quando o ser amplia sua visão além da vida material, vê no horizonte a luz necessária para manter-se animado e vivo. Busca na sabedoria cristã o esclarecimento para suas dúvidas, deixando de lado o desespero. É o caminho do equilíbrio proporcionado pela caridade. "Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e a caridade. Mas a maior destas é a caridade" ( Paulo, I Coríntios, cap. XIII, vers. 1 ao 13). Mudança íntima, humildade, obras, exemplo, doação
desinteressada, resignação, bondade, perdão,
prudência, decência, razão, tranquilidade, sabedoria,
justiça, amor ao próximo como a si mesmo. Agora é o
momento de mostrar ao assistente o que verdadeiramente
Paulo diz sobre o que é a caridade: um conjunto de
atributos morais e intelectuais, que fará do Espírito
ser dono de seu próprio destino. "Todos os deveres do homem se encontram resumidos na máxima: Fora da caridade não há salvação (Allan Kardec, Evang. S. Esp., cap.XV, item 5). Após a passagem de Paulo, o palestrante leva o ouvinte à citação de Kardec. Diferente de outras religiões que colocam como essencial para a salvação (entenda-se liberdade com conhecimento) a frequência exclusiva em suas fileiras, a Doutrina Espírita mostra que o que interessa é a prática da caridade, seja ela feita em que religião for. Jesus nunca disse que esta ou aquela doutrina deveria ser seguida. Mas sim, resumiu a Lei e os profetas em: Amar a Deus sobre tudo e ao próximo como a si mesmo. Este é o lema do Espiritismo: "Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que faz para domar suas más inclinações". (Allan Kardec, E.S.E., XVII, 4). Para encerrar, mostre ao público que nem Paulo, nem Jesus e muito menos a Doutrina Espírita quer que sejamos santos. Os Espíritos superiores sabem de nossas limitações e os ensinamentos cristãos são exatamente para ajudar-nos a superá-los. O que se espera do verdadeiro espírita, ou cristão, que têm o mesmo sentido, é o esforço constante em analisar-se moralmente. E sempre que se perceber fora dos atributos que constituem a caridade, que erga a cabeça, recomece novamente o caminho, sem desesperos ou pressa, mas a passos firmes e corajosos. |
Copyright by Grupo Espírita Apóstolo
Paulo
Last revised: 09/04/1999