Quando encontramos Deus
Carlos Alexandre Fett
A difícil arte de viver faz com que o homem
lute contra suas dúvidas e medos. Somos seres que ainda nos
deixamos levar mais pela emoção do que pela razão. Isso
favorece a ocorrência de acontecimentos desagradáveis na nossa
vida, tornando-nos presas fáceis da ignorância que carregamos.
Na vida, sabemos que se não trabalharmos não teremos como nos
sustentar. Assim, na maioria das vezes, fazemos do trabalho uma
simples obrigação. Se pudéssemos escolher, preferiríamos
ficar em casa, descansando, ou nos divertindo com o lazer. Só a
necessidade de nos mantermos é que nos obriga a trabalhar.
Mas, forçado pelas circunstâncias da vida, o homem, no seu
trabalho, contribui para o seu progresso e de toda a sociedade.
Temos que seguir normas, horários; ter responsabilidade com
nossos serviços; respeitar os companheiros de jornada; aprender
a sermos criativos. Tudo, sob pena de perdermos o nosso
"ganha pão". Como crianças, aprendemos a duras penas
a razão da vida: o aperfeiçoamento moral e intelectual.
Observando esse quadro, podemos ver como as situações
cotidianas levam o homem a buscar Deus na sua existência.
A maioria de nós gostaríamos de viver sem muitas exigências.
Ter total liberdade, pensando mais em nossa satisfação, mesmo
que muitas vezes isso possa prejudicar alguém, em pequena ou
grande proporção. É então que tomamos uma lição.
Literalmente, apanhamos da vida. Passamos por problemas e
angústias próprias daqueles que não compreenderam que cada um
colherá aquilo que plantar.
Desesperados, sem entender o porquê dos desencontros
financeiros, sentimentais, profissionais; somos como que
obrigados a buscar um algo a mais em nosso viver. Sentimos que
não é o poder, a riqueza, a beleza, que nos trarão a paz que
buscamos. Aí, Deus entra na história.
Novamente, como crianças, aprendemos com sofrimento que a vida
é muito mais do que imaginávamos. Que as responsabilidades, o
desapego dos nossos desejos em favor do próximo, embora muito
difíceis de serem praticados, são exigências para alcançarmos
dias melhores.
Forçados pelas nossas dores, buscamos a Deus.
O Criador, inteligência suprema, demonstra ao homem que ele deve
fazer jus à maravilhosa oportunidade de viver e aprender. Nas
palavras do irmão maior, Jesus Cristo, entendemos que se não
descermos do pedestal de orgulho e egoísmo no qual nos
colocamos, teremos como conseqüência a desilusão, o pranto.
"Deixai vir a mim os pequeninos", disse Jesus.
"Pois o Reino de Deus é daqueles que se lhes assemelham. Em
verdade vos digo que, todo aquele que não receber o Reino de
Deus como uma criança, não entrará nele".
Sim, como crianças que, nos primeiros anos de vida, caem
constantemente até aprenderem a andar. Que se assustam quando
sentem nas mãos, pela primeira vez, o choque elétrico de uma
tomada ou o calor de uma chama ardente. Não saberiam desses
sentimentos se não passassem pela experiência. Aprendem,
então, a manterem-se longe destes perigos, pois entenderam que
podem sofrer com eles. Assim, passam a respeitar mais as
orientações dos pais, e vão se preparando para o mundo.
Deus faz exatamente isso conosco, crianças espirituais. Criou
suas Leis de tal forma perfeitas que o ser não as absorve pura e
simplesmente. Precisa aprendê-las, vivenciá-las, para
compreendê-las. Passamos pelo egoísmo e o orgulho, pais das
tristezas da vida, e sentimos que com eles não conseguiremos
nada além de dor.
Buscamos, então, a orientação sábia do Pai, personificada nas
palavras do Mestre Jesus. Comparamo-nos a crianças, como explica
o codificador da Doutrina Espírita, Allan Kardec: "A pureza
de coração é inseparável da simplicidade e da humildade.
Exclui todo pensamento de egoísmo e orgulho. Eis por que Jesus
toma a infância como símbolo desta pureza, como já a tomara
por símbolo de humildade".
Deus nos espera. Carrega-nos nos braços nos momentos difíceis,
mas nunca anda por nós. Pois Ele quer filhos que valorizem a
vida e saibam caminhar. E nós só damos valor ao que
conquistamos com o suor de nosso próprio rosto. O Criador tem
todo o tempo do infinito para nos abrir a porta do Seu Reino, que
é a paz de espírito. Podemos conquistá-la, mas dependerá de
entendermos a razão da vida, tendo a compreensão de Deus.