Jesus, o mestre esquecido
Carlos Fett
É final de ano. As famílias
já começam os preparativos para as festas natalinas. Presentes
são comprados, viagens marcadas, descanso na certa. É o chamado
"espírito natalino" envolvendo a todos.
Mas, quase sempre não nos importamos com o
verdadeiro sentido deste feriado, que é a comemoração do
nascimento de Jesus.
Nossas crianças, bombardeadas pela mídia, acreditam que o Natal
é refletido na figura do Papai Noel, o bom velhinho que
presenteia a todos.
Prestemos atenção, mas praticamente inexiste a idéia de Jesus
nestes dias. Poucos conversam com seus filhos sobre o que o
Mestre tem a ver com as comemorações. O comércio explora a
ansiedade de compra dos consumidores, mostrando que o que mais
importa é correr atrás das melhores ofertas.
Isso tudo não é errado. Afinal, a tradição dos homens
recomenda a troca de presentes neste período. Chegam até a
dizer que isso é um simbologismo do que fizeram os reis magos
quando do nascimento de Jesus, quando lhe ofertaram ouro, incenso
e mirra.
Se fizermos tudo isso com o objetivo de agradar a quem gostamos,
não há problema algum. Devemos fazê-lo com muita satisfação.
Mas acontece que para nós o Natal passa a ser só isso, e
pronto.
Na noite natalina, comemos e bebemos muito. Nos divertimos,
contamos histórias. Até que começamos a exagerar.
Passamos de uma noite de confraternização para um momento de
angústia e libertinagem.
Muitos de nós, embebedados, acabamos por fazer atos impensados.
Alguns colocam seus traumas para fora, levantam velhas
discussões de família, aproveitam para denegrir a imagem de
quem não está presente.
Corremos com nossos carros pelas estradas, cometemos desatinos,
não pensamos nas consequências.
Tudo em nome da "festa do dia". Na verdade, agimos como
se fosse apenas mais um feriado para desforrarmos nossa vontade
de "agitar".
Em meio a tudo isso, Jesus continua como o Mestre esquecido.
Coisa de beato, de fanático, dirão alguns. Ficar pensando em
religião em dia de festa!
Porém, acabamos por esquecer que a festa deveria, além da
confraternização, da alimentação farta, ser um momento de
reflexão sobre nossas vidas.
Será que esse homem, que dois mil anos depois de sua
crucificação tem sua data de nascimento simbolizada neste dia,
que fez com que seus ensinamentos fossem a base para as leis do
ocidente, não tem razão no que pregava?
Um homem que apenas com três anos de vida pública, dos 30 aos
33 anos de idade, fez o mundo ser dividido em dois: antes e
depois dele, não mereceria ser seguido com mais afinco por todos
nós?
Se o que ele dizia não fosse verdade sobreviveria por tanto
tempo?
O que temos feito basedos no que ele ensinou?
Temos vivido só para comer, beber, dormir, fazermos sexo,
trabalhar e se divertir? Ou temos aproveitado a inteligência que
o Pai altíssimo nos deu, e de quem Jesus tanto falava, para
buscarmos ser mais úteis e sábios em nossas decisões?
O Natal deveria ter também esta conotação. Dizemos também,
porque pedir que só reflitamos sobre a vida neste dia é pedir
muito para homens tão apegados ao consumo como ainda somos. Mas,
precisamos dar a devida consideração a Jesus neste dia festivo,
colocando-o lado a lado com nossas expectativas.
Tomemos cuidado com os exageros nas festas. Sejamos alegres, não
imprudentes. Aproveitemos a oportunidade para reatar amizades
perdidas por orgulho, perdoar a falha alheia, entender a
necessidade do próximo.
Enfim, sejamos cristãos neste dia maravilhoso, que comemora a
passagem entre nós daquele que dizia que quem quisesse ser o
maior, deveria servir, e não ser servido. Lembremos de sua
mensagem e fiquemos felizes.
Com certeza, como dizia o próprio Jesus, onde estiverem dois ou
mais reunidos em seu nome, ali estará ele. E a felicidade
reinará, absoluta.