Não confunda a Doutrina Espírita
Carlos Alexandre Fett
A falta de conhecimento e de aprofundamento em
alguns assuntos faz com que acreditemos em coisas absurdas ou
vivamos distantes da realidade dos fatos. Já que é comum nos
enganarmos com fatos corriqueiros, não poderia ser diferente no
caso das religiões, principalmente com aquelas que não
conhecemos e só ouvimos falar. Com o Espiritismo, a Doutrina
Espírita, isso acontece com frequência. Alguns o confundem com
a Umbanda e outros cultos afro-brasileiros. Isso acontece por
ignorância ou mesmo é fruto da maldade de inimigos da Doutrina,
que falam o que não sabem para confundir e esconder seu
verdadeiro significado: a volta ao Cristianismo explicado à luz
da ciência.
Quando mostramos as diferenças entre Espiritismo e Umbanda não
temos a pretensão de denegrir o trabalho umbandista, pelo
contrário. Ele tem seu valor. Queremos apenas deixar claro o que
é Doutrina Espírita e o que não é.
A Umbanda tem suas origens nas religiões africanas e foi trazida
para o Brasil pelos escravos, que chegando aqui se viram
impedidos de praticar as suas crendices por causa do domínio do
Catolicismo há alguns séculos. A saída deles foi cultuar seus
orixás comparando-os às imagens dos santos da igreja Católica.
Foi a partir daí que apareceram as similaridades com a igreja,
tais como: imagens, altares, cânticos, vestimentas, oferendas,
bebidas, incenso, velas etc. Apesar das semelhanças que existem
entre as duas religiões citadas, muitos insistem em confundir a
Umbanda com o Espiritismo. Isso é até incentivado por alguns
umbandistas que, por ignorância da origem do termo
"espírita", colocam o nome de "Centro
Espírita" alguma coisa em seus "terreiros" de
umbanda; e há outros que dizem que "um espírita" foi
fazer um despacho ou trabalhos de magia.
Os termos Espírita e Espiritismo foram criados em 1857 na
França para dar nome à doutrina codificada por Allan Kardec e
diferenciá-la de todas as outras práticas espiritualistas.
Espiritualismo é a crença que tem como base a existência da
alma e de Deus. Portanto, seja católico, protestante, espírita,
budista, umbandista, todos são espiritualistas. Mesmo com
diferenças, crêem na sobrevivência do espírito após a morte.
No Espiritismo não há rituais, velas, imagens, oferendas e a
comunicação com os Espíritos é feita com responsabilidade,
como fez o próprio Jesus (Mateus XVII, vers. 1 a 8).
É impossível todos fazermos parte de uma mesma religião.
Vivemos num mundo onde o pensamento é heterogêneo, os costumes
se divergem e nossos atavismos influenciam na escolha da
religião.
Jesus disse: "Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor!
entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu
Pai, que está nos céus". Jamais ele falou siga esta ou
aquela religião para entrar no céu. O "Caminho da
salvação", como dizia o Mestre, está na prática do bem,
na obediência das leis morais (ser honesto, não adulterar,
respeitar o semelhante, amar a Deus ou as coisas espirituais
acima da vida material), que estão contidas nos mandamentos de
Deus. Toda religião que busca ensinar ao homem práticas ativas
de interesse belo bem-estar coletivo, onde não existam os
interesses humanos em detrimento dos espirituais, prestando um
bom serviço à sociedade ou ao homem como espírito imortal, com
certeza estará cumprindo com seu dever de espiritualizar a
humanidade e estará seguindo os desígnios de Deus.