Conhecendo o ESPIRITISMO
No Grupo Espírita Apóstolo Paulo, o curso básico de Espiritismo tem dois objetivos:
A apostila que aqui apresentamos foi elaborada como material de apoio para
esse curso. Ele tem a duração de três meses, sendo uma aula por semana com
duração de duas horas. A separação em quatro aulas visa apenas ao agrupamento
do conteúdo, já que as aulas dois e três são mais extensas e podem ser
divididas em dois ou mais dias. Além da apostila, aconselhamos que o curso
contenha a leitura e comentários por parte de todos de uma lição de O Evangelho
Segundo o Espiritismo. Isso deve ocorrer no início da aula, e durar entre 30 e
40 minutos, tendo por fim harmonizar o ambiente e levar o aluno a meditar sobre
sua conduta frente à vida.
Os princípios apresentados são apenas os conceitos básicos da Doutrina Espírita.
Um curso tão rápido não formaria conhecedores de Espiritismo, mas dá um
primeiro passo para que o iniciante familiarize-se com as idéias e os temas que
deverão ser aprofundados nos estudos futuros. Além dos princípios básicos, esse
curso também tem a preocupação de apresentar de uma maneira mais objetiva o que
é o Espiritismo nos aspectos filosóficos e práticos:
A metodologia empregada, embora utilize esse material, é mais centrada no
debate, estimulando o raciocínio, a elaboração e exposição das idéias por parte
dos alunos, fazendo com que o seu desenvolvimento seja mais rápido. O instrutor
(que naturalmente deve ter um conhecimento razoável da Doutrina Espírita e
alguma experiência em lidar com grupos de pessoas) não expõe as idéias, mas
coordena o debate em torno do texto que pode ser lido em partes por alguns dos
alunos. Outros expõem o que compreenderam e o instrutor complementa ou corrije
algum conceito, quando necessário. A tarefa mais difícil para esse coordenador
é não deixar que o debate se conduza para outros assuntos distantes do conteúdo
proposto para a aula, pois naturalmente a troca de experiências entre um grupo
de pessoas tende a funcionar como uma catarse coletiva. Embora isso seja
positivo para o desenvolvimento pessoal dos participantes, não é o objetivo do
curso e deve ser permitido apenas raramente. Outro cuidado para o instrutor é,
ao corrigir uma colocação do aluno, não o contradizer, mas induzi-lo a enxergar
outro ponto de vista, sempre baseado no conhecimento existente na Codificação.
Pois serão muitos os que pela primeira vez estarão entrando em contato com os
princípios espíritas. É importante para isso saber manejar as palavras, ter
conhecimento doutrinário e citar Allan Kardec preferencialmente às obras
mediúnicas complementares.
É importante destacar que mesmo os trabalhadores que vêm de outras casas e que
já conhecem e estudam o Espiritismo há anos também devem passar por essa
iniciação antes de ingressarem no trabalho da casa e nas outras salas de estudo
doutrinário. Como é de curta duração, isso não deve ser encarado como uma
repetição, mas como uma oportunidade de integrar-se aos poucos, conhecendo bem
as pessoas e o ambiente do centro espírita antes de assumir novas
responsabilidades. Colocando a situação dessa maneira, os interessados
compreendem que isso traz benefícios tanto para eles quanto para a direção da
casa, e participam sem problemas.
Esperamos que todos possam aproveitar o conhecimento que nos traz a Doutrina Espírita, sentindo-se motivados a buscar aquilo que Jesus Cristo nos aconselhou: "Conhecereis a verdade e ela vos libertará".
Bom curso!
Aula
1- O Nascimento da Doutrina
Espírita
Aula
2- Princípios Básicos da
Doutrina Espírita
Aula
3- O que é um Centro Espírita
Aula
4- O Trabalhador Espírita
O nascimento da Doutrina Espírita
O Codificador Allan Kardec
"E eu rogarei ao Pai, e Ele vos enviará outro Consolador, a fim de que permaneça eternamente convosco: o Espírito de Verdade, que o mundo não pode receber porque não o vê e não o conhece...o Pai enviará em meu nome, e esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito" (João, XIV, 16 a 26).
Hippolyte Léon Denizard Rivail, ou simplesmente Allan Kardec, foi o codificador da Doutrina Espírita. Antes de conhecermos melhor a vida deste professor francês, e como tornou-se o responsável pela Codificação da Doutrina Espírita, mostraremos como foi seu primeiro contato com o mundo espiritual, que serviu de marco inicial para o Espiritismo.
As mesas girantes
França, 1850: no início deste ano, surgiu no país europeu uma brincadeira
que atraía nobres da sociedade parisiense. Acostumados às festas de salões,
muitos franceses passaram a divertir-se com as chamadas "mesas girantes ou
falantes".
Tratava-se de mesinhas redondas de três pés, sobre as quais certas pessoas
colocavam suas mãos e instantaneamente estes móveis começavam a girar e dar
saltos, sem que ninguém fizesse alguma força.
Tudo parecia um fenômeno magnético, ou seja, produto de algum tipo de poder
mental dos que se dispunham a brincar. O fenômeno então começou a ganhar
proporções maiores e espalhou-se por outros países da Europa, chegando também
na América. Desenvolveu-se uma forma de "conversar" com as mesinhas.
Através de pancadas no chão, produzidas com os pés do objeto, formou-se um
código de sinais, onde uma pancada seria "não"; duas,
"sim", entre outros. Basicamente, as perguntas eram sobre
futilidades, que em nada ajudavam a entender o que estava ocorrendo.
Foi então que uma senhora, chamada Emília de Girardim, veio a desenvolver um
método de contato, que consistia de uma mesa que se movia ao redor de um eixo,
lembrando uma roleta. Sobre a mesa, letras do alfabeto eram colocadas em
círculo, além de números e os termos sim e não. No meio desta circunferência,
havia uma agulha ou mesmo um ponteiro metálico, e então as pessoas envolvidas
colocavam suas mãos sobre a borda da mesa. O móvel passava a girar, parando sob
o ponteiro metálico a letra do alfabeto que viria a formar uma frase desta
força invisível.
No decorrer dos questionamentos feitos ao fenômeno, descobriu-se que o mesmo
era produzido por Espíritos que habitavam o mundo espiritual. Porém, ninguém
tirou desta surpreendente descoberta a utilidade que ela trazia. Simplesmente o
que importava era o fenômeno, o espetáculo, e não a causa do mesmo.
Kardec e os Espíritos
Em 1855, Hippolyte Léon Denizard Rivail, professor francês de Aritmética,
Gramática, Física, Astronomia e Fisiologia e pesquisador do magnetismo, foi
convidado por um amigo seu a ver de perto certas manifestações inexplicáveis
que ocorriam nos salões da capital francesa. Rivail era discípulo de
Pestalozzi, chamado de pai da pedagogia moderna, e casado com Amélie Gabrielle
Boudet. Nascido em 03 de outubro de 1804, na cidade de Lyon, já ouvira sobre o
assunto das mesas girantes e quis entender bem o que estava acontecendo. Homem
criterioso, Rivail não se deixava levar por modismos e como estudioso do
magnetismo humano acreditava que todos os acontecimentos poderiam estar ligados
à ação das próprias pessoas envolvidas, e não de uma possível intervenção
espiritual.
O professor então participou de algumas sessões, e algo começou a intrigá-lo.
Percebeu que muitas das respostas emitidas através daqueles objetos inanimados
fugiam do conhecimento cultural e social dos que faziam parte do
"espetáculo". Como os móveis, por si só, não poderiam mover-se,
fatalmente havia algum tipo de inteligência invisível atuando sobre os mesmos,
e respondendo aos questionamentos dos presentes.
Rivail presenciava a afirmação daqueles que se manifestavam, dizendo-se almas
dos homens que viveram sobre a Terra. Foi então, que uma das mensagens foi
dirigida ao professor. Um ser invisível disse-lhe ser um Espírito chamado
Verdade e que ele, Rivail, tinha uma missão a desenvolver, que seria a
codificação de uma nova doutrina .
Atento aos dizeres do Espírito, e depois de muitos questionamentos à entidade,
pois não era homem de impressionar-se com elogios, resolveu aceitar a tarefa
que lhe fora incumbida.
O Espírito de Verdade disse-lhe ser de uma falange de Espíritos superiores que
vinha até aos homens cumprir a promessa de Jesus, no Evangelho de João,
capítulo XIV; versículos 15 a 26: "E eu rogarei ao Pai e ele vos dará
outro Consolador, para que fique convosco para sempre; o Espírito de Verdade,
que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o
conhecereis, porque habita convosco e estará em vós... Mas, aquele Consolador,
o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as
coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito".
Através dos Espíritos, Rivail descobriu que em uma de suas encarnações
anteriores foi um sacerdote druida, de nome Allan Kardec. Foi então que
resolveu adotar este pseudônimo durante a codificação da nova doutrina, que
viria a se chamar Doutrina Espírita ou Espiritismo. Kardec assim procedeu para
que as pessoas, ao tomarem conhecimento dos novos ensinamentos espirituais, não
os aceitassem por ser ele, um conhecido educador, quem estivesse divulgando.
Mas sim, que todos os que tivessem contato com a boa nova a aceitassem pelo seu
teor racional e sua metodologia objetiva, independente de quem a divulgasse ou
a apoiasse.
O que é a Doutrina Espírita
A Codificação
A partir daí foram 14 anos de organização da Doutrina Espírita. No início,
para receber dos Espíritos as respostas sobre os objetivos de suas comunicações
e os novos ensinamentos, Kardec utilizou um novo mecanismo, a chamada
cesta-pião: um tipo de cesta que tinha em seu centro um lápis. Nas bordas das
cestas, os médiuns, pessoas com capacidade de receber mais ostensivamente a
influência dos Espíritos, colocavam suas mãos, e através de movimentos
involuntários, as frases-respostas iam se formando. Julie e Caroline Baudin,
duas adolescentes de 14 e 16 anos respectivamente, foram as médiuns mais
utilizadas por Kardec no início.
Com o decorrer do tempo, a cesta-pião foi dando lugar à utilização das próprias
mãos dos médiuns, fenômeno que ficou conhecido como psicografia.
Todas as perguntas e respostas feitas por Kardec aos Espíritos eram revisadas e
analisadas várias vezes, dentro do bom senso necessário para tal. As mesmas
perguntas respondidas pelos Espíritos através das médiuns eram submetidas a
outros médiuns, em várias partes da Europa e América. Isso para que as
colocações dos Espíritos tivessem a credibilidade necessária, pois estes
médiuns não mantinham contato entre eles, somente com Kardec. Consequentemente,
as respostas, se iguais, demonstravam que vinham da mesma fonte espiritual. Lembremos
sempre que as perguntas e respostas de cunho moral eram submetidas a
comparações com o Evangelho de Jesus, exemplo primordial para a boa conduta.
Assim como as respostas sobre ciência e filosofia deveriam ter como marco a
objetividade e a razão.
Este controle rígido de tudo o que vinha de informações do mundo espiritual
ficou conhecido por "Controle Universal dos Espíritos" (ver a
introdução de O Evangelho Segundo o Espiritismo, item II). Disto,
estabeleceu-se dentro da Doutrina Espírita que qualquer informação vinda do
plano espiritual só teria validade para o Espiritismo se fosse constatada em
vários lugares, através de diversos médiuns, que não mantivessem contato entre
si. Fora isso, toda comunicação espiritual será uma opinião particular do Espírito
comunicante, por mais conhecido que este seja.
Com todo um esquema coerentemente montado, Allan Kardec preparou o lançamento
das cinco Obras Básicas da Doutrina Espírita, a Codificação, tendo início em
1857 com o lançamento de O Livro dos Espíritos. Estes livros contêm toda
a teoria e prática da doutrina, os princípios básicos e as orientações dos
Espíritos sobre o mundo espiritual e sua constante influenciação sobre o mundo
material.
Durante a codificação, Kardec lançou um periódico mensal chamado Revista
Espírita, em 1858. Nele, comentava notícias, fenômenos mediúnicos e
informava aos adeptos da nova doutrina o crescimento da mesma e sua divulgação.
Servia várias vezes como fórum de debates doutrinários, entre partidários e
contrários ao Espiritismo. A Revista Espírita foi a semente da imprensa
doutrinária.
No mesmo ano, Kardec viria a fundar a Sociedade Parisiense de Estudos
Espíritas. Constituída legalmente, a entidade passou a ser a sociedade central
do Espiritismo, local de estudos e incentivadora da formação de novos grupos.
Allan Kardec desencarnou em 31 de março de 1869, aos 65 anos, vítima de um
aneurisma. Sua persistência e estudo constantes foram essenciais para a
elaboração do movimento espírita e organização dos ensinos do Espírito de Verdade.
Resumo das Obras Básicas da Doutrina Espírita
· O Livro dos Espíritos: lançado por Allan Kardec em 1857, é o principal livro da Doutrina Espírita. Podemos chamá-lo de espinha dorsal, pois sustenta todas as outras obras doutrinárias. Divide-se em quatro partes: "As causas primárias"; "Mundo espírita ou dos Espíritos"; "As leis morais"; e "Esperanças e consolações". É composto de 1018 perguntas feitas por Kardec aos Espíritos superiores responsáveis pela vinda do Espiritismo aos homens. O que é Deus? De onde viemos? Para aonde vamos? O que estamos fazendo na Terra? Estas são algumas das questões respondidas pela falange do Espírito de Verdade.
· O Livro dos Médiuns: teve seu lançamento em 1861. Nele, Allan Kardec mostra os benefícios e os perigos da mediunidade, ou seja, o canal que liga o homem encarnado ao mundo espiritual. Demonstra que embora todos os seres vivos possuam esta abertura de contato, há aqueles que a têm de uma forma mais abrangente. Kardec e os Espíritos superiores alertam sobre a sutileza desta faculdade, para que uma pessoa possa contatar os Espíritos sem ser prejudicada por entidades maléficas, descontrolando sua mediunidade.
· O Evangelho Segundo o Espiritismo: editada em 1864, esta obra pode ser entendida como a parte moral da Doutrina Espírita. Nela, Kardec e os Espíritos superiores comentam numa linguagem acessível as principais passagens da vida de Jesus. Explicam suas parábolas e demonstram a grandiosidade do Mestre nos seus ensinos, dando-nos, além disso, conselhos importantes sobre nossa conduta diária frente às dificuldades e dúvidas da vida.
· O Céu e o Inferno: Kardec lançou este livro em 1865. Através da evocação dos Espíritos de pessoas das mais diferentes classes sociais, crenças e condutas, demonstra-nos como foi a chegada e a vivência espiritual destes seres após o seu desencarne. Rainhas, camponeses, religiosos, assassinos, ignorantes e intelectuais são alguns dos que contam o que os aguardava depois de suas atitudes terrenas e como poderão ser suas vidas futuras.
· A Gênese: nesta obra, de 1868, Kardec explica a Gênesis Bíblica, a formação do Universo, demonstrando a coerência da mesma quando confrontada com os conhecimentos científicos, despida das alegorias próprias da época em que foi escrita. Expõe o que são os milagres, explicados pelas leis da natureza, produtos da modificação dos fluidos que nos cercam. Enfim, faz a religião e a ciência caminharem juntas, fortalecendo a fé dos que crêem em Deus.
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Perguntas 1) Em que país, data e ano foi lançado o primeiro livro da Codificação
Espírita? Qual era o nome da obra? |
Princípios Básicos da Doutrina Espírita
· A Doutrina Espírita tem como princípios básicos de sua crença:
2.1 A existência de Deus;
2.2 Existência do Espírito, sua sobrevivência após a morte e sua comunicação
com o mundo material;
2.3 Reencarnação;
2.4 Evolução moral e intelectual dos espíritos;
2.5 Lei de Causa e Efeito.
Podemos observar, então, que alguns desses princípios encontram-se em todas
as religiões cristãs. Ou seja, tanto o Catolicismo, como o Protestantismo e
suas diversas ramificações, crêem em Deus e na existência de alguma forma de
uma vida espiritual. Isso, porque Jesus sempre deixou muito claro ambos,
falando em suas parábolas e em seus ensinamentos.
Mas, por que existe Deus? Se há mundo espiritual, como é a vida lá? E vivendo
no mundo espiritual, pode se fazer contato com o mundo material? Vivemos uma só
vida? Todos temos a mesma evolução espiritual? O que fazemos, de bom ou ruim,
recebemos de volta?
Estas perguntas que sempre nos atormentaram têm uma explicação racional na
Doutrina Espírita. E veremos que para todas elas existe algo a respeito na
Bíblia, que com a luz do Espiritismo podemos compreender.
2.1 A existência de Deus
A existência de Deus é o primeiro assunto de "O Livro dos Espíritos". Allan Kardec e a falange do Espírito de Verdade entenderam a necessidade de nos falar primordialmente sobre isso, pois crer em Deus, não só emocionalmente, mas também racionalmente, irá nos favorecer a compreensão de toda sua criação. Consequentemente, conseguiremos saber o porquê da vida e qual nosso objetivo de existência. Abaixo, reproduzimos as primeiras perguntas e respostas da obra citada:
|
1. Que
é Deus? 2. Que se deve
entender por infinito? 3. Poder-se-ia dizer
que Deus é o infinito? Provas da existência de Deus 4. Onde se pode
encontrar a prova da existência de Deus? 7. Poder-se-ia achar
nas propriedades íntimas da matéria a causa primária da formação das coisas? 8. Que se deve pensar
da opinião dos que atribuem a formação primária a uma combinação fortuita da
matéria, ou, por outra, ao acaso? 9. Em que é que, na
causa primária, se revela uma inteligência suprema e superior a todas as
inteligências? |
Com essas questões, vemos qual o entendimento da Doutrina Espírita sobre
Deus.
Na Bíblia, há muitas passagens falando a respeito da existência do Pai criador.
Porém, uma das mais importantes encontra-se na "Oração do Pai Nosso"
(Mateus, VI; versículos 9 a 13), onde Jesus nos ensina a orar, agradecendo e
pedindo a Deus a luz para nossa existência.
2.2 Existência do Espírito, sua sobrevivência após a morte e sua comunicação com o mundo material
|
153. Em
que sentido se deve entender a vida eterna? |
A Doutrina Espírita nos explica que o Espírito é eterno, como afirmado na
questão acima de O Livro dos Espíritos.
A existência da vida espiritual é muito citada por Jesus nos Evangelhos. E se
existe essa vida, lá vivem os Espíritos. Mas o que são os Espíritos? Vejamos o
que diz O Livro dos Espíritos:
|
23. Que
é o Espírito? a) - Qual a natureza
íntima do Espírito? 24. Espírito é
sinônimo de inteligência? 25. O Espírito
independe da matéria, ou é apenas uma propriedade desta, como as cores o são
da luz e o som o é do ar? 27. Há então dois
elementos gerais do Universo: a matéria e o Espírito? |
A Doutrina Espírita também nos ensina que os Espíritos nada mais são do que
as almas dos homens que materialmente viveram na Terra. Ou seja: quando
encarnado, o Espírito tem a denominação de alma; ao desencarnar-se e voltar à
vida espiritual, é denominado Espírito. Esta diferença de terminologia existe
apenas para diferenciar um estado do outro. Dessa forma, existindo o mundo
espiritual e os Espíritos, estes têm a condição de se comunicarem com os
encarnados. Há muitas passagens nas Escrituras Sagradas (Bíblia) que falam
sobre esse intercâmbio (adiante, conheceremos uma delas).
Deus nunca parou de criar Espíritos, povoando diversos mundos habitados no
universo. É Jesus mesmo quem diz: "Na casa de meu Pai há muitas
moradas" (João, XIV;2). E todos os espíritos são criados simples e
ignorantes. Ou seja, nenhum de nós teve privilégios ao sermos criados. Coube a
cada um de nós, através de cada reencarnação, adquirir experiências que nos
tornaram como somos hoje.
2.3 A reencarnação
Compreendemos, assim, que nós mesmos conquistamos nossa evolução, vida após
vida, encarnação após encarnação. Todas as experiências que vivenciamos, sejam
boas ou más, servirão para compor nossa história espiritual.
Isso explica, por exemplo, porque há pessoas que têm tendências para um desenvolvimento
precoce para a música, pintura, matemática e demais artes sem terem tido nenhum
incentivo para isso nesta existência.
Por outro lado, há os que desde crianças têm o chamado popularmente "gênio
forte", onde impera a violência, a impaciência, o egoísmo. Tanto para o
bem quanto para o mal estas tendências nada mais são do que a demonstração do
que compõe a nossa história espiritual, traduzida e apresentada como
inclinações que temos na vida presente. Caberá a cada um de nós alimentarmos
estas vocações (se forem para o bem) ou cerceá-las (se forem para o mal). E é
nisso que resulta a sabedoria de Deus na reencarnação. Nela, nós mesmos
colheremos o que de bom ou ruim semearmos.
Com isso, a Doutrina Espírita põe fim às penas eternas, incoerentes com a
bondade e misericórdia suprema do Pai. Pois se nós, seres imperfeitos, sabemos
perdoar e dar novas oportunidades a nossos filhos, muito mais o fará Deus. Ao
invés de jogar eternamente no inferno quem errou, dá novas oportunidades de
vida, onde se colherá o que se plantou, aprendendo o melhor caminho a seguir.
Além disso, a reencarnação consegue explicar os porquês de problemas de
nascença, ou de problemas que nos acompanham no decorrer da vida. Se as causas
não se acharem presentes na atualidade, só podem ser frutos de atitudes
cometidas em outras existências. Senão, onde estaria a justiça de Deus, que deu
saúde e paz a uns e desgraças a outros? Só a reencarnação mostra como o Pai é
sábio e justo, pois sua Lei espiritual dá a cada um segundo suas obras, visando
sempre um único destino para todos: a felicidade eterna.
Na Bíblia, no Evangelho segundo Mateus, XVII; versículos 1 a 13, na passagem
denominada "Transfiguração", há vários elementos que nos comprovam o
que a Doutrina Espírita nos ensina:
|
"Tomou Jesus consigo a Pedro, a Tiago e a João, seu irmão, e os conduziu em particular , a um alto monte. E transfigurou-se diante deles; e o seu rosto resplandeceu com o sol, e os seus vestidos se tornaram brancos como a luz. E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele... E os seus discípulos o interrogaram, dizendo: Por que dizem então os escribas que é mister que Elias venha primeiro? E Jesus respondendo-lhes, disse: Em verdade, Elias virá primeiro, e restaurará todas as coisas. Mas digo-vos que Elias já veio, e não o conheceram, mas fizeram-lhe tudo o que quiseram. Assim farão eles também padecer o Filho do Homem. Então, entenderam os discípulos que ele lhes falara de João Batista". |
Aqui, podemos observar a existência do mundo espiritual, a comunicação dos
Espíritos e a reencarnação. Jesus deixa bem claro que João Batista, seu primo e
pregador, que havia vivido junto com ele, antes de ser preso e decapitado pelo
rei Herodes, foi na verdade a reencarnação do profeta Elias, que vivera há mais
de 900 anos antes de Jesus. Naquele momento, depois de seu desencarne, João
apresentava-se a Jesus com a aparência de Elias, juntamente com Moisés, outro
profeta desencarnado há 1700 anos.
Abaixo, mais algumas passagens da Bíblia que falam sobre a reencarnação e a
confusão que os Judeus faziam com ressurreição. Isso porque, reencarnação é o
renascimento do Espírito para viver em um novo corpo, que nada tem a ver com o
anterior. É o que acredita a Doutrina Espírita. Já ressurreição é a volta do
Espírito no mesmo corpo que havia habitado, mesmo que esse já tenha sido
decomposto, que é o que crêem outras religiões.
Essa confusão fez com que Jesus não falasse diretamente da reencarnação para o
povo, mas sim apenas com seus discípulos mais próximos, que teriam uma melhor
condição espiritual de compreender o processo que envolve a reencarnação. Mas
mesmo entre eles, havia dificuldade para o entendimento completo. Por isso,
Jesus deixa muitas vezes subtendido o assunto. Vejamos em Marcos, VI; 14 e 15 /
Lucas, IX; 7 a 9:
|
"Jesus expulsava muitos demônios e curava enfermos. E ouviu isto o rei Herodes (por que o nome de Jesus se tornara notório), e disse: João, o que batizava, ressuscitou dos mortos, e por isso estas maravilhas operam nele. E outros diziam: Ele é Elias, ou um dos profetas. Herodes, porém, disse: Este é João, que mandei degolar, e ressuscitou dos mortos". |
Em Marcos, VIII; 27:
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"Jesus interrogou a seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens que eu sou? E eles disseram: Dizem que é João Batista, outros que é Elias; e outros, um dos profetas". |
Nestas duas passagens, não podiam estar se referindo à ressurreição, mas sim
à reencarnação, pois a ressurreição traria João, ou outros dos profetas, com o
mesmo corpo de antigamente. E Jesus tinha nascido, seus pais eram
conhecidos, e portanto, não poderia ser a ressurreição de nenhum deles. Mas
sim, a reencarnação. O que falavam as pessoas, o rei Herodes e os discípulos
demonstra a confusão entre ressurreição e reencarnação, mas deixa claro que a
crença na volta do Espírito à vida era conhecida, mas não compreendida.
Em João, IX; 1 a 41:
|
"Jesus viu um cego de nascença, e seus discípulos lhe perguntaram: Rabi, quem pecou para que esse homem nascesse cego, ele ou seus pais? Jesus então lhes disse: Nem ele pecou, nem seus pais, mas foi assim para que se manifestasse nele as obras de Deus". |
Passagem que demonstra mais claramente ainda que os discípulos e Jesus
conversavam sobre a reencarnação. A pergunta dos apóstolos sobre quem teria
pecado para que aquele homem nascesse assim nos indica que havia uma dúvida
sobre o processo reencarnatório. E mais, se o cego era de nascença, como ele
poderia ter pecado, senão em outra vida?
E Jesus, então, ensina que não se tratava de uma expiação, ou seja, do
pagamento de um erro de outras vidas; mas que aquela situação era uma prova por
qual passava o Espírito, e que teria fim com o "milagre" de Jesus.
Falaremos mais sobre provas e expiações no item "Lei de Causa e
Efeito".
2.4 Evolução moral e intelectual dos espíritos
Explica-nos a Doutrina Espírita que muitos são os níveis de evolução dos
Espíritos. Cada Espírito escolhe o caminho que deseja seguir, seja no bem ou no
mal; no estudo ou na ignorância, até que todos possam atingir o progresso.
A Doutrina nos ensina que devido a esta diferença de evolução existem milhares
de mundos materiais que têm vida, e que eles estão divididos em cinco
categorias. Os Espíritos encarnados habitam os mesmos, dependendo de sua
condição moral/intelectual.
Esses mundos são:
· Primitivos: onde a
ignorância é quase que total. Como exemplo, podemos citar a época dos homens
das cavernas;
· De Provas e Expiações: similar
à Terra, onde a ignorância, o mal, ainda superam o bem, embora a tecnologia e a
inteligência estejam bem desenvolvidas;
· De Regeneração: próximo
estágio do nosso planeta, onde o bem, a compreensão, superarão a ignorância;
· Felizes: orbes em que
praticamente a ignorância inexiste, e as pessoas vivem para o bem da sociedade,
buscando um progresso em conjunto;
· Divinos: locais onde só existe
o entendimento das Leis divinas, não havendo lugar para o mal.
Para passar de um mundo para o outro, são necessários milhares de anos de
dedicação e muitas vezes de sofrimento por parte dos Espíritos encarnados.
Porém, o fim sempre será a evolução material e espiritual do planeta.
E nesse processo evolutivo, há diversidades de estágios dentro de cada mundo,
embora não sejam muito grandes.
Na Terra, por exemplo, vemos diferenças de atitudes nas pessoas, mostrando uma
escala de adiantamento espiritual. Mas, todos ainda estamos limitados a uma
condição: a ignorância supera a compreensão.
Jesus comenta sobre esta diversidade na conhecida "Parábola do
Semeador", que está em Mateus, XIII; 4 a 9:
|
"Eis que o semeador saiu a semear. E quando semeava, uma parte caiu ao pé do caminho, e vieram as aves, e comeram-na. E outra parte caiu em pedregais, onde não havia terra bastante, e logo nasceu, porque não tinha terra funda. Mas vindo o sol, queimou-se, e secou-se, porque não tinha raiz. E outra caiu entre espinhos, e os espinhos cresceram, e sufocaram-na. E outra caiu em boa terra, e deu fruto, um a cem, outro a sessenta e outro a trinta". |
O semeador da Parábola é Jesus. As sementes, seus ensinos. A parte que caiu
ao pé do caminho simboliza as pessoas que escutam a palavra de Deus mas as
desdenham, buscando apenas os interesses materiais, simbolizados pelas aves.
A parte dos pedregais simboliza as pessoas que escutam a palavra de Deus e
ficam incentivadas a segui-las. No entanto, vão "com muita sede ao
pote", criando uma fé cega, sem bases racionais. Assim, não criam raízes.
E quando vêm os problemas a que todos estamos sujeitos, simbolizados pelo sol,
revoltam-se contra Deus, porque não compreendiam verdadeiramente seus ensinos.
A outra parte fala dos que escutam a palavra dos Evangelhos, até as acham
importantes, mas as preocupações com o dinheiro e o poder, simbolizadas pelos
espinhos, sufocam qualquer iniciativa de buscar a compreensão espiritual.
Por fim, a parte que caiu em terra boa fala das pessoas que escutam os ensinos
e procuram praticá-los, visando um entendimento dos porquês da vida e da
prática do bem ao próximo. Mas diz Jesus que até entre esses haverá diferenças,
pois todos temos nossos limites. E a capacidade de praticar o bem difere de
pessoa para pessoa.
Assim, caberá a cada um de nós escolhermos qual estágio gostaríamos de estar.
Pois a semeadura de Jesus já está aí há mais de 2000 anos. Colhê-la ou não será
uma escolha particular.
2.5 A Lei de Causa e Efeito
Tudo o que fizermos ao próximo, de bem ou mal, retornará para nós. É a
chamada Lei de Ação e Reação, plantio e colheita. Tem um exemplo na Lei da
Física, explicada por Newton, onde toda ação tem uma reação contrária, de mesma
intensidade e sentido oposto.
Nosso mundo é de segunda categoria, classificado como de Provas e Expiações.
As expiações são a colheita nesta ou nas próximas existências do erro que
tenhamos praticado em outras vidas. Não é um castigo, pois Deus não castiga. É
sim a oportunidade de compreendermos nossos atos indevidos, sofrendo em nós
mesmos o que fizemos outro sofrer. Com isso, nosso espírito absorve a
experiência, a terá a tendência de não mais praticá-lo.
Jesus fala da Expiação na passagem onde ocorre sua prisão, que está em Mateus,
XXVI; 52.
|
"Então, disse Jesus a Pedro: Mete no seu lugar a tua espada: porque todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão". |
Nesta passagem, o apóstolo Pedro tentava defender Jesus, ameaçando um guarda
com uma espada. E até neste difícil momento, Jesus aproveitou para nos ensinar
o quanto devemos pensar antes de agir. Caso contrário, não poderemos reclamar
do que nos espera no futuro.
As provas são as situações que ocorrem em nossa vida para ajudar-nos a
desenvolvermos a paciência, a inteligência, a humildade e a perseverança. Não
têm nada a ver com atos cometidos em outras vidas. Deus as coloca em nosso
caminho com o intuito de nos incentivar no desenvolvimento de nossos
sentimentos e habilidades, fazendo-nos ter "jogo de cintura" e
sensatez frente aos percalços da vida.
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O Perispírito e o Fluido Universal O Espírito, por ser de
natureza abstrata, não tem forma. Por isso, reveste-se de um elemento
fluídico, semimaterial, chamado Perispírito. Os médiuns A mediunidade é o meio
pelo qual os Espíritos têm condições de influenciar diretamente os
encarnados, sejam estas influências boas ou más. Portanto, todos temos alguma
mediunidade, pois todos sofremos influenciações do mundo espiritual. Porém,
há uma diferença em ter mediunidade e ser um médium com possibilidades de
perceber mais claramente a presença dos Espíritos. |
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Perguntas 1) Quais são os princípios básicos da Doutrina Espírita? |
O que é um centro espírita
Existe uma confusão muito grande a respeito do que é ou não é Doutrina
Espírita ou Espiritismo. Isto porque há pessoas que não sabem que as palavras
"espírita" e "espiritismo" foram criadas em 1857, na
França, pelo codificador da Doutrina Espírita, Allan Kardec. Somente deveriam
utilizarem-se destes termos os locais religiosos ou pessoas que seguissem os
postulados desta doutrina.
Assim, cultos e religiões que de alguma forma têm em suas práticas a
comunicação de Espíritos e a crença na reencarnação são confundidas
erroneamente com o Espiritismo.
Na verdade, embora mereçam todo o respeito dos espíritas verdadeiros, estas
seitas são adeptas do espiritualismo ou esoterismo, e não do Espiritismo.
Todos aqueles que acreditam na existência do Espírito são espiritualistas. Mas
nem todos os espiritualistas são espíritas, praticantes do Espiritismo.
Para que uma casa religiosa seja espírita, ela deve seguir os ensinamentos
contidos nas Obras Básicas da Doutrina Espírita e no Evangelho de Jesus.
Geralmente, os locais espíritas recebem o nome de: Centro, Grupo, Casa,
Sociedade, Instituição ou Núcleo Espírita. Deve ser legalmente constituído, de
acordo com as leis vigentes no país em que está instalado. Mesmo ostentando
este nome, quem os visita necessita estar atento para quais as atividades e as
formas como as mesmas são praticadas por seus dirigentes e auxiliares, para que
se tenha a certeza de estar em um centro espírita.
Mostraremos abaixo, o que se encontra e o que não deve ser encontrado em uma
casa espírita verdadeira.
Palestras x Explanações e orações ao som de músicas, batuques, atabaques
Todo centro espírita tem o seu momento de esclarecimento doutrinário. As
exposições geralmente são sobre a Codificação espírita e o Evangelho de Jesus,
em uma ligação direta com nosso cotidiano. Não há nenhum ritual antes dos
trabalhos, a não ser uma prece evocando a proteção de Jesus e dos bons
Espíritos (geralmente, a oração é feita em pensamento). Em algumas
oportunidades, antes ou no final das palestras, alguns grupos fazem a
apresentação de corais musicais, quase sempre formados por grupos de jovens.
Porém, este tipo de procedimento não é aconselhável, sendo indicado que seja
praticado em datas e horários diferentes dos trabalhos espirituais e de
esclarecimento ao público, exatamente para se evitar confusões e
mal-entendidos.
O Espiritismo não utiliza instrumentos musicais para exortar o público
ou evocar Espíritos. Não há o uso de qualquer instrumento durante os trabalhos.
Trajes normais x Trajes especiais
Os trabalhadores de uma casa espírita trajam-se normalmente, de forma
simples. A discrição deve fazer parte dos que trabalham no local, pois ali
estão para auxiliar as pessoas que buscam orientação para seus problemas
materiais e espirituais.
O Espiritismo não tem roupas especiais para os dias de trabalhos ou mesmo no
dia-a-dia dos seus adeptos. Enfeites, amuletos, colares, vestimentas com cores
que significariam o bem (branca) ou o mal (negra, vermelha) não têm fundamento
para o espírita.
Inexistência de rituais, amuletos e imagens x Presença de rituais e/ou sacrifícios de animais
O verdadeiro centro espírita não pratica em suas atividades nenhum tipo de
ritual. A Doutrina Espírita segue o que o Mestre Jesus ensinou: que Deus é
Espírito, e deve ser adorado em espírito e verdade. Portanto, sem a necessidade
de nada material para contatarmos com a espiritualidade, ou ainda: ajoelhar-se
frente a algo ou alguém, beijar a mão ou louvar os responsáveis pela casa,
benzer-se, sentar-se no chão ou ficar levantando e sentando durante os
trabalhos, proferir determinadas palavras (mantras) para evocar os Espíritos.
Nas sedes dos verdadeiros centros espíritas não são encontradas imagens de
santos ou personalidades, amuletos de sorte, figuras que afastam ou atraem maus
Espíritos, incensos, velas e tudo o mais que seja material e que teoricamente
serviria de ligação com o mundo espiritual. O Espiritismo é contrário a
qualquer tipo de sacrifício animal. Espíritos que pedem este tipo de atividade
são Espíritos atrasados, ignorantes da Lei de Deus e muitas vezes maléficos,
que podem prejudicar a vida de quem dá ouvidos aos seus baixos desejos.
Comunicação particular com os Espíritos x Comunicação de Espíritos em público
Os grupos espíritas têm reuniões específicas e íntimas para que os
trabalhadores da casa, aptos e preparados durante longos estudos para tal,
possam comunicar-se com os Espíritos. E através deles, obter informações do
mundo espiritual, orientações e mesmo ajudar no afastamento de perturbações espirituais
que porventura estejam prejudicando alguém. Todo este cuidado baseia-se na
orientação dos próprios Espíritos superiores, responsáveis pela elaboração do
Espiritismo, como também no alerta de João, o Evangelista, que em sua 1ª
Epístola, capítulo IV, versículo 1, diz: "Amados, não creiais em todos os
Espíritos, mas provai se os Espíritos são de Deus". Agindo assim, o centro
espírita evita o máximo possível a influência de Espíritos zombeteiros e
maldosos, que muitas vezes vêem neste contato com os encarnados a oportunidade
de tecer comentários mentirosos e doutrinas esdrúxulas. A seriedade de reuniões
fechadas os intimida, favorecendo a presença dos Espíritos esclarecidos.
Há alguns tipos de trabalhos mediúnicos, principalmente de psicografia (escrita
dos Espíritos através de médiuns), onde pessoas levam até lá o nome de entes
desencarnados para tentarem a comunicação dos mesmos através da mediunidade, e
ficam observando a manifestação. O médium Francisco Cândido Xavier, conhecido
como Chico Xavier, da cidade mineira de Uberaba, é um destes exemplos. Porém,
nestes casos, o Espírito não se comunica diretamente com seu parente. Apenas
influencia o médium, que escreverá, de forma discreta e ordenada, a mensagem do
além.
A Doutrina Espírita é contrária a manifestação pública dos Espíritos,
principalmente se for cercada de curiosidades e interesses materiais, ao invés
do bom senso que deve permear toda comunicação espiritual. Há locais em que os
médiuns recebem seus "guias" ou "Espíritos protetores",
teoricamente responsáveis pelo funcionamento da casa, e orientam os consulentes
sobre qualquer tipo de dúvida. Muitas vezes, as respostas dadas por este tipo
de Espírito não têm base científica ou doutrinária alguma, seguindo apenas seu
próprio conhecimento, que pode ser limitado. Em vários destes lugares em que há
a manifestação pública, as entidades espirituais são servidas de fumo, bebida,
comida, ingeridas pelo médium incorporado. Com isso, mostram a limitação destes
Espíritos, ainda muito apegados aos vícios e prazeres materiais.
Desenvolvimento cauteloso da mediunidade x Desenvolvimento mediúnico forçado
A Doutrina Espírita explica que todo ser vivo tem mediunidade, pois é
através dela que os encarnados recebem influências boas e más do mundo
espiritual, que servirão de ajuda ou aprendizado no decorrer de suas
existências terrenas. São chamados de médiuns aqueles capazes de proporcionar a
manifestação dos espíritos. O Espiritismo adverte que para poder ampliar esta
ligação com o mundo espiritual, é necessário que o médium passe por uma série
de preparativos. Anos de estudo, maturidade, modificação moral constante, vida
regrada, abstendo-se dos vícios mais grosseiros, como o fumo e a bebida, são
algumas das regras básicas para que o indivíduo possa vir a desenvolver
corretamente sua mediunidade, e estão contidas em "O Livro dos
Médiuns". Os centros espíritas verdadeiros não aconselham a pessoa a
trabalhar mediunicamente sem antes passar por este período e preparação
citados. Muito menos diz que alguém "precisa" desenvolver a
mediunidade. Ninguém é obrigado a nada, afirma a Doutrina. Todos têm seu
livre-arbítrio, e mesmo que o ser tenha um canal mediúnico amplo, próprio para
o desenvolvimento da mediunidade, e não quiser desenvolvê-lo, não há problema.
Tudo o que é forçado é prejudicial ao homem.
Se ao chegar em um ambiente espiritualista lhe afirmarem que sua mediunidade
"precisa" ser desenvolvida, caso contrário você sofrerá as
consequências materiais e espirituais; sua vida será um transtorno; que os
Espíritos estão lhe chamando para o trabalho; que esta é a sua missão; com
certeza este não é um local que segue a Doutrina Espírita. Há seitas e
religiões afro-brasileiras que obrigam a pessoa a desenvolver-se mediunicamente
e depois as ameaçam com terríveis problemas futuros se elas deixarem de
"trabalhar". Isto gera angústia, medo e desespero nos envolvidos, que
geralmente acabam vítimas de graves obsessões (influência maléfica persistente
de um Espírito atrasado sobre outro ser). Cuidado!
Não há promessas de curas x Promessas de cura
O verdadeiro centro espírita não promete a cura para quem o procura. A
Doutrina afirma que a cura de uma influência espiritual ou doença material
depende de uma série de fatores, entre os quais a modificação moral do enfermo,
sua necessidade, seus problemas relacionados com encarnações anteriores e acima
de tudo, se há ou não a permissão de Deus para que haja a solução da
dificuldade. Muitas vezes, o sofrimento é um período necessário para o ser
refletir sobre sua existência, e o único que sabe quando é a hora disso
terminar é o Criador.O que o centro espírita faz é um pronto-socorro aos
necessitados de amparo e esclarecimento, e de todas as formas possíveis
(orações, tratamentos espirituais, passes, orientações morais e materiais)
tenta minimizar o sofrimento alheio, rogando a Jesus que se o Pai permitir, que
interceda junto ao indivíduo.
Qualquer lugar que prometa a cura de problemas espirituais ou materiais, sem
levar em consideração os fatores já citados, não é um local espírita. Condicionar
uma cura à frequência exclusiva naquele ambiente, ao pagamento de dinheiro ou
bens materiais, ou mesmo à "força da casa" não tem base no
Espiritismo e foge do bom senso que regula as Leis de Deus. Estas, não podem
ser modificadas de acordo com nossa vontade. Por isso, prometer algo que não
depende apenas de nós mesmos beira a irresponsabilidade e pode levar a pessoa
desesperada ao desequilíbrio total ou à descrença em Deus.
Passes simples x Passes com movimentos e gestos bruscos
O passe é um método utilizado dentro dos centros espíritas. Nada mais é do
que a simples imposição das mãos de médiuns sobre a fronte de outras pessoas,
transmitindo-lhes fluidos magnéticos e espirituais (energias positivas do
próprio médium e de bons Espíritos), no intuito de fortalecer-lhes o corpo e a
parte espiritual. Jesus usou muito deste artifício ao curar os enfermos que o
procuravam. Tem duração em média de 30 segundos a 01 minuto. Geralmente, é
aplicado dentro de salas específicas, após a palestra, individual ou
coletivamente, com o público sentado e o passista de pé. Apenas são feitas
orações, em pensamento, pelos médiuns, rogando o amparo de Jesus àqueles que
estão recebendo os fluidos. Os passistas não ficam incorporados pelos
Espíritos, apenas recebem sua influência mental e fluídica.Importante: nunca há
necessidade do passista tocar a pessoa que recebe o passe. Toques, apertos,
carícias têm grandes possibilidades de serem mal-interpretados, gerando
confusões, e por isso são dispensados no centro espírita.
Locais em que os passes são aplicados com movimentos bruscos, utilizando
objetos, baforadas de cigarro ou charuto, estalando-se os dedos, repetindo
mantras e cânticos, tocando várias partes do corpo do receptor não são centros
espíritas. Passistas que transmitem os passes incorporados por entidades,
fazendo orientações ou conversando normalemente, não são médiuns espíritas.
Todo o serviço espiritual é gratuito x Cobrança pela ajuda espiritual
O verdadeiro centro espírita não cobra nenhuma orientação ou ajuda
espiritual de seu público, nem condiciona o recebimento de curas ou salvação às
doações. Dar de graça o que de graça receber, ensinou Jesus, em alusão aos
conhecimentos espirituais. Não aceita dinheiro por serviços prestados
mediunicamente. Seus dirigentes e trabalhadores têm profissões próprias, que
lhes dão o sustento financeiro necessário para suas vidas. Quem sustenta
materialmente a casa espírita são seus trabalhadores/sócios, através de doações
mensais, destinadas ao pagamento de aluguéis, manutenção, divulgação
doutrinária e aquisição de alimentos, roupas e demais objetos a serem
distribuídos às famílias carentes ou instituições filantrópicas que sejam
assistidas pelo grupo. Todo valor arrecadado será exposto em balanços mensais,
para que tanto trabalhadores como frequentadores tenham acesso sobre onde é
investido o dinheiro do centro espírita. Caso algum frequentador da casa queira
doar algo ao núcleo, é preferível que a doação seja feita em gêneros
alimentícios, roupas, materiais de construção e afins, que poderão ser
destinados aos carentes ou mesmo utilizados na manutenção da casa. Se houver
por algum motivo uma doação em dinheiro, o centro espírita deverá fornecer um
recibo ao doador e inscrever esta doação no balanço mensal do grupo.
Todo local que cobra dinheiro, favores ou exige qualquer coisa ou favor
material devido à ajuda espiritual prestada não é um centro espírita. A
cobrança financeira é própria de pessoas que vivem da exploração da crença
alheia, contrariando os ensinos de Jesus. Há seitas que pedem dinheiro aos seus
assistidos afirmando que será usado para o feitio de trabalhos espirituais,
como a compra de velas, comida, roupas e coisas do gênero. Isso não é
Espiritismo. Espíritos que se prestam a fazer serviços espirituais em troca de
coisas materiais são entidades atrasadas, que nada de bom podem trazer aos que
os procuram.
Não podemos comprar a paz de espírito e tranquilidade que buscamos, é isto que
prega a Doutrina Espírita. Se não for esta a orientação do local, com certeza
não é um ambiente espírita.
Os 10 principais serviços do centro espírita
A Doutrina Espírita, ou Espiritismo, tem como lema a liberdade de expressão.
Assim, não há um órgão centralizador, como ocorre, por exemplo, na Igreja
Católica. Há apenas os princípios básicos que sustentam a Doutrina, ou seja: a
existência de Deus, dos Espíritos, a possibilidade da comunicação com eles, a
existência do mundo espiritual, da Lei de causa e efeito e a reencarnação.
Diante disso, cada centro espírita tem a possibilidade de praticar as
atividades doutrinárias da maneira que achar melhor. Colocaremos abaixo 10 das
principais funções que devem ser praticadas dentro de um verdadeiro centro
espírita. A prática correta ou não destas atividades vai variar de acordo com o
conhecimento do grupo que dirigir a casa. E a melhor maneira de sabermos se os
trabalhos estão sendo feitos dentro dos preceitos de Allan Kardec é analisarmos
os resultados obtidos na orientação e tratamento dos problemas materiais e
espirituais dos que buscam ajuda no centro espírita.
1) Recepção
Aquele que chega pela primeira vez no centro espírita geralmente tem uma
série de dúvidas a respeito do funcionamento da casa. Muitas vezes nem sabe o
que irá encontrar ali, haja visto a grande confusão que há na sociedade sobre o
que é e o que não é Espiritismo. Havendo uma recepção, que pode ser uma simples
mesa ou uma sala, o indivíduo poderá para lá se dirigir e obter as informações
sobre horário de funcionamento da casa e trabalhos desenvolvidos.
É necessário que a pessoa responsável pela recepção tenha total conhecimento
das atividades da casa e que se mantenha simpática em todos os momentos.
Precisamos lembrar que a recepção é o primeiro contato do visitante com o centro
espírita. E quase sempre é a primeira impressão que cativará ou afastará o
público do grupo.
2) Palestras:
É o principal trabalho de uma casa espírita. O ser humano só consegue
libertar-se de seus vícios morais ou materiais quando se esclarece dos malefícios
que os mesmos trazem para sua existência. É através das palestras que os
oradores conseguem levar o conhecimento espiritual existente na Doutrina
Espírita.
Porém, por ser uma atividade de maior seriedade, deve ser entregue a pessoas
preparadas doutrinariamente e experientes em relação à vida cotidiana.
O assistente precisa sentir no palestrante o que a Doutrina chama de força
moral. Ou seja, que o expositor esteja falando de algo que conhece e pratica.
O tempo destinado à palestra também é importante. Muito curtas, são
superficiais; compridas, tornam-se exaustivas. O ideal são palestras que tenham
duração de no mínimo 30 minutos e no máximo 40 minutos.
Seu teor deve mesclar os postulados da Doutrina Espírita e o Evangelho de
Jesus. Sempre que possível, relacioná-los com o dia-a-dia da sociedade. Assim,
o ouvinte poderá fazer ligações do que está ouvindo com seus próprios problemas
e dúvidas.
Importante: no momento da palestra, é aconselhável que as demais atividades da
casa sejam interrompidas para que todos os trabalhadores e público possam
escutá-la. Lembremos que a palestra será o agente modificador do necessitado e
incentivador dos que prestam assistência no núcleo.
3) Atendimento particular
Chamado em alguns centros espíritas de consulta ou entrevista, este trabalho
visa orientar e ajudar espiritualmente pessoas detentoras de problemas mais
graves, e quando necessário, submetê-las a um tratamento espiritual.
Em uma sala reservada, um atendente e um auxiliar (trabalhadores experientes da
casa) receberão para uma conversa íntima indivíduos desajustados
emocionalmente, desesperados, com dificuldades familiares, amorosas,
financeiras, desiludidos da vida.
A recepcionista da casa se encarregará de preencher uma ficha com os dados
básicos do atendido (nome, idade, estado civil, endereço), encaminhando-a aos
atendentes. Estes, após conversarem com a pessoa, farão os demais apontamentos
que julgarem necessários para o acompanhamento do caso, como: estado emocional,
religião praticante, se é portador de algum desequilíbrio mental já
diagnosticado por médicos, se está sob efeito de remédios, e outras informações
que poderão ajudá-los em um possível tratamento espiritual.
Casas que já possuem médiuns devidamente preparados poderão detectar durante a
entrevista ou em uma reunião mediúnica se há ou não uma influência espiritual
atuando junto ao ser, orientando-o após isso sobre as atitudes a serem tomadas.
Caso contrário, o atendente terá seu trabalho limitado, mas poderá orientar o
indivíduo dentro de um posicionamento cristão, ajudando-o a corrigir seus
defeitos e encontrar a paz procurada.
Importante:
a) Todas as informações prestadas pelo entrevistado ao atendente serão
altamente sigilosas. As fichas que contêm anotações sobre a vida particular da
pessoa deverão ficar em um fichário sob a responsabilidade daqueles que
participaram da entrevista.
b) Caso haja a utilização de um médium verificando a atividade espiritual ao
lado do atendido, possíveis manifestações de Espíritos nunca devem ocorrer na
presença do necessitado, para evitar possíveis distúrbios psíquicos ou
impressões indesejadas.
4) Reunião mediúnica:
Trata-se de uma reunião íntima onde apenas participam os médiuns (pessoas
com maior capacidade de sentir a influência dos Espíritos) da casa e algum
trabalhador auxiliar, pois ali muitas vezes serão tratados assuntos que dizem
respeito à vida particular de pessoas que buscaram auxílio no centro espírita.
Depois de passarem pela sala de atendimento, e verificadas possíveis
influências espirituais (obsessão*), os casos serão levados às reuniões
mediúnicas, ou de desobsessão. Nestas reuniões, o dirigente da sessão fará o
que Allan Kardec denominou de evocação, ou seja: solicitará a Jesus e aos
Espíritos superiores que permitam a manifestação da entidade espiritual que
está acompanhando determinado ser. Ao se manifestar em um dos médiuns
presentes, este Espírito receberá o que o Espiritismo chama de doutrinação, que
nada mais é do que uma conversa franca e amigável com o Espírito comunicante. O
trabalhador responsável tentará obter do Espírito o que ele deseja ao lado do
necessitado e tentará convencê-lo a afastar sua influência, com a ajuda dos
Espíritos que dirigem a casa.
A reunião mediúnica também pode servir para que os bons espíritos dêem
orientações e para que os sofredores manifestem-se, podendo ser ajudados
através da conversa.
Importante: para conseguirem-se bons resultados na doutrinação dos Espíritos é
necessário que médium e doutrinador tenham uma vida moral sadia. Vícios
materiais, como o cigarro, a bebida ou as drogas; e vícios morais, como o
adultério, o orgulho, a sensualidade exagerada e a mentira devem ser combatidos
rapidamente por aqueles que se dispõem a trabalhar em nome de Jesus em um
centro espírita. Assim como nas palestras, onde o exemplo moral do palestrante
é que tocará o indivíduo que o escuta, na mediunidade o Espírito só será
convencido de que precisa se modificar se sentir que quem o está orientando ou
dando-lhe passagem está esforçando-se também para isso. Caso contrário, a evocação
dificilmente trará benefícios ao sofredor.
*Obsessão: Conforme define Allan Kardec em "O Evangelho Segundo
o Espiritismo", cap. 28, item 81: "A obsessão é a ação persistente
que um mau Espírito causa sobre um indivíduo".
É diferente, portanto, de uma perturbação espiritual simples, que pode ser
causada pelo estado emocional momentâneo por qual passamos.
Na obsessão, o Espírito mau tem o objetivo persistente de prejudicar o
obsediado, seja por uma afinidade moral, com o intuito de aproveitar-se dele;
seja pelo ódio que os une devido a encarnações passadas.
A obsessão, porém, nunca tem como causa o Espírito obsessor, mas sim, as más
tendências que todos carregamos dentro de nós. Ou seja, o obsessor é sempre
consequência de nossa condição moral, pois se estivéssemos livres do orgulho,
do egoísmo, da maledicência, do nervosismo, da impaciência, da avareza, da
sensualidade exagerada, não haveria como uma entidade má se aproximar de nós.
Pois a aproximação só se dá pela afinidade de pensamentos e desejos.
Pensar e agir bem, portanto, é o melhor método de afastarmos as obsessões de
perto de nós. E se necessário, a administração de um Tratamento Espiritual
(descrito a seguir) dará grandes possibilidades de livrar o obsediado desta
doença moral.
5) Tratamento espiritual:
Todo aquele em que foi diagnosticada uma obsessão poderá passar por um
tratamento espiritual. Ele consiste na aplicação de passes semanais, ingestão
de água fluidificada e o acompanhamento das palestras no centro espírita,
buscando a análise constante das imperfeições que possibilitaram à má
influência instalar-se ao seu lado, tentando melhorar-se moralmente a cada dia.
Este tratamento será complementado nas reuniões mediúnicas, onde os
responsáveis pela ajuda continuarão a evocar a entidade perturbadora no sentido
de orientá-la a seguir outro caminho.
Assim, atua-se nos dois campos que geram o problema obsessivo: o obsediado,
orientando-o moralmente e auxiliando-o fluidicamente; e o obsessor, alertando-o
de seu estado e encaminhando-o para um melhor estágio espiritual.
6) Passes:
Os passes são transmissões de fluidos de um ser para outro. Os fluidos são
energias que fazem parte da estrutura material e espiritual dos seres. Nos
centros espíritas é aconselhável que os médiuns passistas tenham uma vida
regrada, sem os vícios já citados no item "Reuniões mediúnicas".
Afinal, se seus fluidos estiverem contaminados por maus pensamentos ou atitudes
indevidas poderão prejudicar ao invés de auxiliar quem os recebe.
O passe é aplicado apenas com a imposição das mãos do passista sobre a fronte
do indivíduo. Não é necessário tocá-lo.
No momento do passe, o passista busca sintonia com os Espíritos superiores,
geralmente através de uma prece feita de pensamento. Com isso, estes amigos
espirituais poderão ajuntar seus fluidos aos fluidos do médium, favorecendo
ainda mais quem está recebendo. A pessoa após o passe irá se sentir fortalecida
e mais disposta frente aos problemas por quais passa.
Importante: o passe é um complemento espiritual, e não a solução. Para que o indivíduo possa melhorar é necessário que busque constantemente a libertação de suas imperfeições. Aqueles que buscam a casa espírita apenas para receber o passe devem ser orientados sobre a necessidade do esclarecimento através das palestras e das boas leituras.
7) Livro de preces:
Muitas pessoas que vêm ao centro têm parentes e amigos que não podem
acompanhá-los por variados motivos: doença, viagem, trabalho ou mesmo
ignorância sobre o que é a Doutrina Espírita. Outras há que gostariam que seus
entes desencarnados recebessem boas vibrações através de orações feitas no
núcleo. O livro de preces serve para isso. As pessoas deixam lá os nomes, idade
e endereço dos que elas gostariam que fossem beneficiados pela prece. Um
trabalhador da casa pode ficar responsável por anotar os dados, que
posteriormente serão levados para a reunião mediúnica. Assim, em determinada
parte do trabalho, será feita uma prece a Jesus e aos bons Espíritos, pedindo
que possam interceder junto àqueles que ali estão anotados.
Importante: sempre que possível, orientar ao público que embora as preces à
distância possam levar ajuda, o ideal é a presença da pessoa na casa espírita,
onde o amparo será mais direto e os resultados melhores.
8) Estudo doutrinário:
É indispensável ao bom funcionamento do centro espírita o estudo semanal das
Obras Básicas da Doutrina Espírita. Para os trabalhadores em geral, é
aconselhável a leitura de "O Livro dos Espíritos" e de "O
Evangelho Segundo o Espiritismo". Quanto aos que trabalham na mediunidade,
a leitura de "O Livro dos Médiuns" torna-se obrigatória para o bom
desenvolvimento de suas faculdades.
Se a casa espírita fica sem estudo torna-se presa fácil de Espíritos atrasados
que vez por outra tentam atrapalhar o bom andamento dos trabalhos em nome de
Jesus. Conhecendo as Obras Básicas da Doutrina, as orientações de Kardec e os
conselhos dos Espíritos superiores, os trabalhadores do centro estarão mais
atentos para saberem se estão ou não fazendo da casa um núcleo espírita sério.
As obras acessórias que existem no movimento espírita, psicografadas (escritas
através de médiuns influenciados por Espíritos) por Chico Xavier, Divaldo
Pereira Franco e tantos outros médiuns de renome também podem ser estudadas,
desde que não sejam o alvo principal dos estudos. O trabalhador precisa estudar
e revisar constantemente as obras de Kardec para poder separar o joio do trigo
existente nas obras acessórias.
Importante: para os que estão ingressando ou querendo ingressar nos
trabalhos da casa, é importante que o centro tenha um curso para iniciantes,
como o que estão participando.
Há vários cursos deste tipo no movimento espírita, que trazem um resumo da
Doutrina e de sua história. É aconselhável que diferente dos trabalhadores, que
devem estudar sempre, os iniciantes tenham um curso de curta duração (no máximo
5 meses, com aulas semanais). Caso contrário, poderão desanimar antes de
conhecerem mais a fundo o Espiritismo.
Se o curso seguir estas dicas, com certeza será um grande auxiliar na captação
de novos trabalhadores para o centro.
9) Assistência material:
A caridade material deve fazer parte de toda casa espírita. Se ficarmos
apenas na teoria, sem colocar "a mão na massa", o centro corre o
risco de tornar-se apenas um núcleo de muita conversa e pouco serviço.
Trabalhos assistenciais a serem desenvolvidos não faltam: visitas a enfermos em
hospitais, manicômios, orfanatos, asilos; distribuição de cestas de alimento,
de roupas, de comida; desenvolvimento de escolas profissionalizantes, cursos de
gestantes, evangelização infantil em favelas e muitas outras formas de auxílio
aos carentes do pão material.
Todo trabalhador do centro espírita deve buscar ao menos um tipo de caridade
material por semana. Isso desenvolverá dentro dele o sentimento de compaixão ao
próximo, que lhe será muito útil em sua vida, dentro e fora da casa espírita.
10) Divulgação doutrinária:
A Doutrina Espírita precisa ser bem divulgada para que diminuam as confusões
existentes entre ela e cultos espiritualistas ou afro-brasileiros. Ter uma
biblioteca na casa é de extrema importância. O centro poderá comprar ou receber
em doações uma série de livros doutrinários que possam esclarecer o leitor
sobre as bases do Espiritismo e do mundo espiritual. Estas obras devem ser
emprestadas ao público que terá cerca de vinte dias para ler e devolvê-la para
a casa. Uma pessoa fica responsável pelo empréstimo e anotação do nome,
endereço e telefone do locatário. Com isso, se caso houver uma demora na
devolução, o bibliotecário poderá contatar o leitor e lembrá-lo de devolver a
obra para que outras pessoas possam usufruí-la também.
Outras formas importantes de divulgação são a Internet e os folhetos ou jornais
doutrinários que podem ser confeccionados pelo grupo. O teor das matérias deve
ser o esclarecimento das práticas espíritas, a exposição de temas evangélicos e
o comentário de situações e fatos do cotidiano à luz da Doutrina Espírita.
O Grupo Espírita Apóstolo Paulo possui uma página na Internet www.espiritismo.org e também um folheto, o
"Entenda a Vida", que em alguns meses do ano é distribuído nas
residências do bairro onde se localiza o centro, como também aos frequentadores
do mesmo.
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Perguntas 1) Qual é a origem das palavras Espírita e Espiritismo? Quem as inventou? |
O trabalhador espírita
Agora que sabemos o que é a Doutrina Espírita, quais seus princípios e como
ela deve ser praticada nos centros espíritas, comentaremos sobre como deve ser
um trabalhador espírita.
Prestar serviço caritativo em uma casa religiosa requer boa vontade e
perseverança.
Primeiro, porque sempre que modificamos algo em nossa vida, há como que uma
barreira a ser transposta. Isso é a tentativa de mudança causando uma reação
contrária.
Mudar o estabelecido, os costumes que temos, é muito difícil, pois nos fará
rever conceitos e assumir novos compromissos.
E estas dificuldades de adaptação poderão ocorrer em muitos setores de nossa
vida.
Ao comentá-los, lembremos da "Parábola do Semeador", onde caberá a
nós deixarmos ou não as sementes frutificarem em nossos corações.
No lar: se ambos os cônjuges resolvem trabalhar em prol do próximo,
não há problemas, pois os dois irão se ajudar nessa nova etapa da vida. Porém,
se apenas um toma esta decisão, terá que saber contornar, com paciência e
humildade, as reclamações e questionamentos do companheiro (a).
Raros são os casos em que mesmo não frequentando um trabalho caritativo o
cônjuge não implica com o outro. Isso porque inconscientemente sente-se
diminuído, sem forças para buscar algo novo, o que começa a perturbar.
Cabe àquele que decidiu buscar fazer algo de bom pelo próximo manter um diálogo
constante, sem forçar ao outro a mesma iniciativa. Com exemplos na conduta e
mostrando diariamente o quanto o trabalho espiritual tem lhe feito bem, irá
tocar o coração do companheiro (a), que poderá vir a juntar-se a ele na seara
de Jesus.
Mas mesmo que isso não ocorra, com o passar do tempo a mudança de atitudes dos
que trabalham no centro espírita irá beneficiar diretamente toda sua família,
ajudando na manutenção de um ambiente harmonioso e feliz, construindo um lar
onde os filhos terão prazer em viver. Enfim, uma família cristã.
No trabalho: muitos dos velhos companheiros do novo trabalhador (a)
espírita irão estranhar quando, no sábado à tarde, ao invés de ir no futebol ou
às compras no shopping, ele for visitar velhinhos no asilo; ou bater de porta
em porta pedindo alimento aos carentes. Será, então, chamado de
"carola", "fanático", "rato de igreja" e outros
adjetivos próprios de nossa sociedade. Esta será a fase mais difícil, pois
muitas vezes passamos mais tempo com os amigos do trabalho e do lazer do que
com nossa própria família.
Isso também passará com o tempo, quando seus amigos perceberão que não é a
dedicação de algumas horas semanais em benefício alheio que o tornará menos
sociável. Pelo contrário, sentirão uma maior serenidade em seus atos, um maior
equilíbrio em seu cotidiano.
E o futebol, como as compras, não deixarão de existir em sua vida. Apenas
cederão um pouco de espaço para os que necessitam de nosso amparo.
Os vícios: todos sabemos que cigarro e álcool não fazem bem para o
organismo, nem em pequenas doses. Mas muitos de nós não conseguimos nos
afastar, ainda, destes vícios. Compreendendo a Doutrina Espírita e como agem os
fluidos que nos envolvem, percebemos que estes hábitos também prejudicam nosso
corpo espiritual, o Perispírito, deixando-nos impregnados com as sensações dos
mesmos.
O trabalhador espírita iniciante deve estar consciente da necessidade de lutar
contra esses vícios materiais. Não de forma radical, pois a natureza não dá
saltos. Mas de forma sensata e constante, contando com a ajuda dos bons
Espíritos e de Jesus.
Já para o trabalhador espírita que pratica a mediunidade, ou que transmite
passes, o uso do cigarro e do álcool é excluído. Isso porque no caso da
mediunidade, muitos são os Espíritos comunicantes ainda ligados a esses vícios.
E para orientá-los, ou envolvê-los em boas vibrações, médiuns e doutrinadores
precisarão ter a "força moral na palavra", prescrita por Allan
Kardec. Ou seja, se vamos orientar alguém para desvincular-se do vício, nós
mesmos devemos estar desvinculados. Caso contrário, nossas palavras não
emitirão sinceridade, apenas superficialidade.
É o mesmo que o pai ou mãe que bebem, fumam ou falam palavrões quererem proibir
os filhos de fazerem o mesmo. De nada adiantará, se não houver o exemplo.
Já no caso do passista, ao ministrar o passe estará doando seus fluidos,
juntamente com os dos Espíritos superiores. E se os seus estiverem contaminados
pelas substâncias contidas no cigarro e no álcool, irão transmiti-las aos receptores.
É verdade que de nada adianta o médium não beber ou não fumar e viver na
mentira, desonestidade, adultério e orgulho. Porém, estes são os vícios morais
que a convivência com a Doutrina deve nos levar a modificar. E,
verdadeiramente, são mais difíceis de vencer.
Começar pelos vícios materiais pode nos ajudar a ter força de vontade. Cabe a
nós decidirmos.
As compensações: realmente, ser um trabalhador espírita necessita
muito ânimo e coragem. Porém, as recompensas são reais. Pois todo aquele que
trabalha para Jesus com sinceridade no coração encontra o "Reino de
Deus" dentro de si, que nada mais é do que a paz de espírito e o
equilíbrio na vida.
Abaixo, transcrevemos uma passagem contida em "O Evangelho Segundo o
Espiritismo", capítulo 20, item 4, intitulada "Missão dos
Espíritas", que nos mostra bem o que o Senhor espera daqueles que
decidiram ajudar ao próximo.
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Missão dos espíritas "Não escutais já o
ruído da tempestade que há de arrebatar o velho mundo e abismar no nada o
conjunto das iniquidades terrenas? Ah! bendizei o Senhor, vós que haveis
posto a vossa fé na sua soberana justiça e que, novos apóstolos da crença
revelada pelas proféticas vozes superiores, ides pregar o novo dogma da reencarnação
e da elevação dos Espíritos, conforme tenham cumprido, bem ou mal, suas
missões e suportado suas provas terrestres. |
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Perguntas 1) Fale um pouco de sua impressão sincera sobre o curso e se o/a ajudou a compreender o que é a Doutrina Espírita. Dê sugestões, se as tiver. 2) Você acha que os estudos dos quais participou irão ajudá-lo(a) em algo em sua vida? Por quê? |
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Paulo
Last revised: 14/06/2001